O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ
( Bartolomeu Campos de Queirós)
Pouca vezes estive na casa do meu avô Nunca por longo tempo. Chegava e brincava de não querer saber de nada e acabava sabendo de tudo. Eu era curioso e guardava cada minúcia na memória. Coisas no princípio confusas, eu só vim a acostumar mais tarde. A memória é uma faca de dois gumes. Ela guarda fatos que me alegram em recordar, mas também outros que desejaria esquecer, para sempre. A memória é como cobra: morde e sopra.
Mas todos cuidavam de mim usando contidos carinhos. Lembro -me de um dia no quintal, com meu avô, embaixo de um pé de jabuticabas. Eram milhares de olhos pretos me espiando, me convidando a saboreá-los. Queria que os olhos do meu avô fossem pretos para me espiar, como faziam as jabuticabas. Não gostaria de chupá-los. Mas eles eram azuis e muito longe do mar. Mesmo assim eu navegava . Inventava que o mar tinha aportado nos olhos do meu avô. Encarava seu olhar e permanecia ancorado .Mas ver o mar com olhos azuis é o mesmo que ver a noite com olhos pretos. Não deve causar emoções. Difícil é ver o mar com olhos castanhos .Vivia em mim
uma vontade de conhecer o mar . Mas , ele era longe, morava em um medo de meu olhar mudar sua cor. Meu olhar foi sempre descolorido .
1 – Na frase : “ Ela guarda fatos que me alegram em recordar”.
O autor está se referindo a quem?
2- Na última frase , o personagem diz que seu olhar foi sempre descolorido.
Por quê?
3- Quem eram os milhares de olhares de olhos pretos que espiavam e o convidava a saboreá-las ?
4- leia atentamente o 1º parágrafo e explique com sua palavras , porque a memória e como cobra que morde e sopra.
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